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Segundo alguns profissionais do setor, o País negligenciou a formação de sua mão de obra qualificada e, agora, está pagando o preço.

A construção civil brasileira nunca tinha vivenciado investimentos tão amplos, significativos e simultâneos, provenientes de programas governamentais e dos megaeventos como a Copa do Mundo 2014 e Olimpíadas 2016.

O setor está crescendo e deve continuar assim nos próximos anos. Incorporadoras e construtoras aproveitam o momento favorável para lançar mais empreendimentos. No entanto, apesar dos diversos projetos em curso tem verificado-se que os engenheiros, que desempenham papel fundamental na construção civil, ainda não estão sendo devidamente reconhecidos e valorizados pelo setor.

FALTA RECONHECIMENTO
Coordenador do curso de Graduação Tecnológica em Construção de Edifícios da Unifor, o professor Ari Júnior, acredita que apesar do atual momento de aquecimento da construção civil, e da reconhecida carência de profissionais qualificados, o mercado ainda reluta em dar o devido valor e reconhecimento ao engenheiro.

“Este fato se percebe através dos baixos salários iniciais oferecidos aos engenheiros recém-formados e àqueles com pouca experiência. Também existem barreiras tanto financeiras quanto de preconceito no que diz respeito à contratação de engenheiros sênior. O segmento da construção civil tem valorizado apenas profissionais entre 30 e 40 anos, com experiência profissional acima de cinco anos”, explica.

Segundo a presidente do Sindicato dos Engenheiros do Estado do Ceará (Senge-CE), Thereza Neumann, apesar da grande procura por engenheiros, não se pode dizer que exista uma real e consciente valorização destes profissionais.

“O próprio Sindicato da Construção Civil no Estado do Ceará (Sinduscon-CE) vem dificultando a negociação anual dos pisos salariais de engenheiros e arquitetos, que justamente, ficaram assegurados na Convenção Coletiva de 2011, realizada com o Senge-CE, mesmo sendo conhecedor da quantidade de empresas, que por força do próprio mercado, vem pagando salários bem acima de R$ 5.300,00”, explica Neumann.

OPORTUNIDADES
Com o mercado aquecido, é certo que existem oportunidades em todo o país. As empresas buscam cada vez mais profissionais competentes, proativos e solucionadores de situações-problema, independente de sua origem. O grande diferencial vem a ser o salário, reconhecimento e as vantagens oferecidas pela empresa.

“Existe um campo de atuação amplo, o que falta na realidade são bons salários, principalmente para os profissionais com até dois anos de formação, que muitas vezes estão sendo absorvidos por empresas internacionais para serem capacitados e inseridos no mercado”, comenta a presidente do Senge.

FORMAÇÃO
O setor sofre com falta de mão de obra especializada e qualificada. Segundo estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), até 2012 haveria no país uma demanda por 150 mil posições em engenharia que, em uma primeira análise, poderia ser justificada por programas como o PAC, Minha Casa Minha Vida, Copa 2014 e Olimpíadas 2016.

De acordo com o professor Ari Júnior, são necessários cinco anos para formar um engenheiro, nos bancos das universidades. Além da formação básica, se faz necessário a complementação dos estudos com cursos de aperfeiçoamento e pós-graduação, o que eleva o tempo de estudos para no mínimo seis anos.

Uma experiência prática relevante é obtida, em média, em 30 meses. O tempo necessário para se concluir o ciclo construtivo de um edifício residencial de estrutura de concreto, com mais de 15 pavimentos. Ou seja, são necessários no mínimo oito anos para se obter um engenheiro com formação qualificada e experiência relevante.

“Está claro que não temos tempo suficiente para formar 150.000 engenheiros até 2016. O País negligenciou a formação de sua mão de obra qualificada, agora está pagando o preço. Inúmeros engenheiros estrangeiros têm migrado para Brasil e estão ocupando espaço”, explica Júnior.

REVERTENDO A SITUAÇÃO
Na tentativa de reverter essa situação, o professor sugere uma reformulação das matrizes curriculares dos cursos de engenharia e a disseminação dos cursos de graduação tecnológica, que formam um profissional graduado de construção civil em apenas três anos.

“Para os incrédulos e críticos dos cursos de graduação tecnológica, basta verificar o caso de Portugal. Os engenheiros portugueses são formados em cursos de apenas de três anos, e estão sendo contratados por empresas brasileiras. Por que então o preconceito com nossos tecnólogos de construção civil?”, finaliza Júnior. (do Jornal O Estado)